Publicado por Osvaldo Cruz em 15/07/2017 às 1:23 am Nenhum Comentário

BBEpNiPApesar da vitória do governo do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, com a aprovação de um relatório contrário à denúncia da Procuradoria-Geral da República que mira o peemedebista, o desfecho ideal ao Palácio do Planalto para a votação do texto no plenário da Casa não se confirmou.

O governo trabalhava para que o parecer do deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) fosse apreciado pelos deputados rapidamente, até a próxima segunda-feira, mas, como o recesso parlamentar começa na terça-feira e seria difícil reunir o mínimo de 342 deputados para a abertura da votação, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acertou com os líderes partidários que a definição será no dia 2 de agosto, a partir das 9h.

Embora o discurso governista valorize o triunfo na CCJ, alcançado graças a 12 trocas de deputados com direito a voto na comissão, e empurre para a oposição a responsabilidade de reunir o quórum necessário, o Planalto receia que fatos novos possam desgastar ainda mais a imagem do presidente nas próximas duas semanas.

Veja a seguir os três principais riscos que Michel Temer sabe correr:

Delação de Eduardo Cunha

Conforme VEJA revelou na semana passada, a delação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha já tem 130 capítulos, pelo menos dez deles dedicados a relatar aos investigadores supostos crimes cometidos pelo presidente. O ex-deputado se dispõe a narrar histórias que mostram que Temer não só sabia dos esquemas de corrupção montados nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma como tinha poder de mando sobre eles, além de se beneficiar diretamente das propinas pagas por empresas parceiras do PMDB.

O acordo, que nos próximos dias entrará na fase decisiva de negociação, é visto pela Procuradoria-Geral da República como peça importante para compor as investigações das quais o presidente é alvo. No entender dos investigadores, como partícipe privilegiado da máquina de corrupção montada pelo PMDB no governo federal durante os anos de sociedade do partido com o PT, Cunha tem condições de trazer à luz elementos que possam ajudar a esquadrinhar a cadeia de comando do esquema.

Os representantes do ex-deputado já informaram aos auxiliares do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que, além dos relatos que complicam a situação de Michel Temer, ele promete aniquilar os dois ministros mais próximos do presidente: Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

Delação de Lúcio Bolonha Funaro

O acordo de colaboração premiada negociado por Eduardo Cunha com a Lava Jato deve trazer de roldão a delação do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, responsável pela execução de grande parte dos negócios orquestrados pelo ex-deputado. Nas últimas semanas, Funaro vem atualizando os tópicos de sua proposta. VEJA revelou que um, em especial, é devastador para Michel Temer: segundo uma fonte da Procuradoria, ele confessa que recebeu da JBS para ficar calado, e afirma que os pagamentos foram feitos por ordem do presidente. A afirmação se encaixa à perfeição na narrativa do dono da JBS, Joesley Batista, e na linha de investigação de Rodrigo Janot.

Assim como Cunha, Funaro promete complicar ainda mais a vida de um dos peemedebistas de confiança do presidente: o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Em uma prévia do que vai revelar em sua delação, o doleiro disse em depoimento à Polícia Federal no último dia 7 de julho que “fez várias viagens em seu avião ou em voos fretados, para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima” e que essas entregas eram feitas numa sala reservada do hangar Aerostar, localizada no aeroporto de Salvador (BA), “diretamente nas mãos de Geddel”. Entre os motivos que levaram o ex-ministro à prisão, na semana passada, estavam as ligações que ele fez a Raquel Pitta, mulher de Lúcio Funaro, para monitorar o ânimo de Funaro em aderir à delação premiada. Geddel deixou a cadeia por ordem de um desembargador.

Nova denúncia de Rodrigo Janot

A denúncia contra corrupção passiva da Procuradoria-Geral da República contra Michel Temer é uma das três possíveis que Rodrigo Janot pode apresentar a partir das delações do Grupo J&F. É que o inquérito 4483 do Supremo Tribunal Federal (STF) também investiga o peemedebista pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa, apurações que, pela estratégia de Janot de desmembrar as denúncias, podem levar a novas acusações formais contra Temer durante o recesso parlamentar.

A tese de que o presidente consentiu com pagamentos da JBS a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro para que não aderissem a delações premiadas, baseada inicialmente na célebre frase “tem que manter isso, viu?”, dita por Temer, por exemplo, ganhou força após a perícia da Polícia Federal no áudio da conversa entre o peemedebista e o empresário Joesley Batista.

Novos trechos da gravação decifrados pela perícia mostram que, quando estavam discutindo a situação de Cunha, pouco depois de Joesley dizer “todo mês”, interpretado pela PGR como referência a pagamentos mensais, Michel Temer questiona: “E o Eduardo também?”, ao que o delator confirma: “também”.

Se as contas do Planalto dão de barato que a base aliada conseguirá barrar a denúncia por corrupção passiva no plenário da Câmara, onde precisa de 172 votos, não é certo que os parlamentares aceitem assumir o desgaste de defender Temer em outras denúncias, sobretudo diante do possível desgaste com as delações de Cunha e Funaro e o conteúdo de novas acusações da PGR.

VEJA.com

 

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