Publicado por Osvaldo Cruz em 18/05/2017 às 4:29 am Nenhum Comentário

Demonstrators protest against Brazil's President Michel Temer in Sao Paulo, Brazil, May 17, 2017. The banner reads: "Out Temer." REUTERS/Nacho Doce

Seguindo as revelações do jornal O Globo sobre comprometedoras gravações do presidente Michel Temer, da Operação Lava Jato, a noite desta quarta-feira (17) foi tomada por articulações no Congresso Nacional e protestos em cidades como São Paulo e Brasília.

O tom das ruas e dos corredores de Câmara foi o mesmo: renúncia de Temer e antecipação das eleições.

Para a oposição, a saída de Temer é inevitável. “Poupe o País de mais uma gravíssima crise política”, pediu o senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP). “Essa nação não aguentará passar por mais momentos delicados como viveu no processo de impeachment (de Dilma Rousseff)… Renuncie a seu mandato.”

A base de Temer também começa a tremer.

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) ressalta a gravidade do conteúdo das gravações revelado pelo colunista Lauro Jardim e, por isso, faz coro à oposição:

“Acabou”, resumiu o líder do PPS na Câmara, Arnaldo Jordy.

Já foram protocolados dois pedidos de impeachment de Temer nesta quarta — um do deputado Alessandro Molon (Rede/RJ) e outro do João Henrique Caldas (PSB/AL).

Deputados da oposição pretendem acelerar na Comissão de Constituição e Justiça a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite antecipar as eleições presidenciais.

Acusações graves

Segundo o colunista Lauro Jardim, Michel Temer incentivou pagamento da JBS pelo silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Na semana passada, os donos da JBS, Joesley Batista e o irmão Wesley, levaram ao STF (Supremo Tribunal Federal) gravações de conversa com Temer.

Em um dos diálogos incriminadores, Batista diz que paga uma mesada para Cunha e Lúcio Funaro, operador dele em esquema de corrupção, para permanecerem calados. Temer foi gravado consentindo: “Tem que manter isso, viu?”.

Em outra conversa gravada, Temer indica a Joesley procurar o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-RJ) para resolver problemas da JBS. De acordo com Lauro Jardim, a Polícia Federal filmou Rocha Loures recebendo propina de R$ 500 mil de Ricardo Saud, diretor da JBS.

Essa delação precisa ser homologada pelo relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, para ser considerada uma prova legal.

Outro lado

Em nota, o Palácio do Planalto negou que Temer tenha pedido pagamento de silêncio de Cunha. Disse também que nunca tentou frear delações.

Leia a íntegra:

“O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados.”

Informações da huffpostbrasil.com

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